Monthly Archives: February 2011

All-mighty pacience

No dia 15 de dezembro, indo para o churrasco de formatura dos 9º anos perto de uma chácara aqui em Valinhos, o ônibus passou por dois filhotes perdidos na estrada de terra. Pacientemente o motorista esperou o maior dos pequenos atravessar cambaleante a pista e ir se embrenhar no meio do mato alto.

A imagem ficou na minha cabeça durante quase todo o resto do dia, mesmo com toda a festa e celebração, e vôlei debaixo do sol das 4 da tarde com alunos que mal sabem fazer uma manchete.

Voltando de carona, lá estava um dos filhotes, deitado na beira da estrada. E o outro enrolado, caído do lado de um saco de lixo metodicamente largado no meio do mato…

Nós levamos as duas (agora sabendo que eram fêmeas), apesar de mais parecerem ratos do que cães, eram puro osso, sentia-se as costelas e os ossos das patas estavam saltados, a pele esticada sobre eles.Várias coisas passaram na cabeça enquanto minha amiga dirigia até a clínica, a menor aparentava muita fraqueza e comecei a pensar logo em cinomose, verminoses críticas ou algum outro estado de muita gravidade.

Explicamos a situação para o veterinário, a clínica nos deu um desconto na consulta e na aplicação do remédio, Ivermectina , diante do diagnóstico de sarna (demodécica, segundo diagnóstico posterior), passada da mãe para o filhote, além disso estavam anêmicas, as gengivas quase transparentes de tão brancas, mas fora isso não parecia haver nada de muito mais grave.

Sem ter perspectiva de deixa-las em hotelzinho para cães por conta da doença e das verminoses, acabei tomando a responsabilidade de leva-las para meu “imenso” apartamento e dar conta do tratamento de banhos e aplicação de vitamina (um complexo B foderoso e terrível…). E daí começou.

pequena Thamar -5 dias depois, dia de banho com Matacura

Apesar de todas os apelos do Caio pra não me apegar e evitar contato, mesmo por conta da sarna e dos vermes, elas acabaram me adotando como mãe…

Na primeira semana mal conseguiam ficar em pé e andar pelo pequeno espaço improvisado na sacada do apê, a urina sempre foi muito clara, sem nenhum problema mas as fezes da maior demoraram pra melhorar, provavelmente por conta da verminose. Sempre muito amuadas, manhosas quando me viam, e muito famintas que estavam se acostumaram logo de cara com a ração, afinal pra quem nunca teve nada, pouco é muito.

A grande Skadi - 19/12/10

A grande Skadi - 19/12/10

…continua.

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The Boy on the Grass

“O que realmente me chamou a atenção em Syd foi que ele parecia uma espécie de personalidade élfica. Andava levemente na ponta dos pés o tempo todo, meio que num passo saltitante. Tinha sempre um sorriso sarcástico no rosto, como se de alguma forma estivesse rindo do mundo. E era sempre um tanto solitário: podíamos estar com um grupo de pessoas e de repente Syd sumia. Estava sempre muito na dele. O que eu gostava em Syd era aquela fantástica atenção aos detalhes. Um dia entrei em seu quarto e ele disse: “Olhe só isso”. Havia três grandes dodecaedros pendurados no teto, todos impecavelmente confeccionados em pau-de-balsa: absolutamente perfeitos. Lembro de pensar: ‘Deus, que paciência para fazer aquilo.'”

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