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A Velha História

De tudo de errado e certo que já deu na minha vida, essa maldita relação de amor e ódio com a dança é a que mais me irrita e também irrita obviamente as pessoas ao meu redor.

Meus pais acreditam piamente que eu posso fazer disso uma fonte rentável. Na verdade eles acreditam que praticamente (quase) tudo que eu faço é passível de ser vendido/lucrado/tornado em espécie.

O Caio acha que eu devia parar porque ele sempre me vê mais sofrendo do que sorrindo por conta disso, e não entende como algo que eu digo gostar tanto me faça ao mesmo tempo sofrer tanto. Não, frustrações não estão aí para serem entendidas.

E então vemos o seguinte problema: pras pessoas que vêem de fora nunca parece estar bom. Ou porque as meninas que fazem a mais tempo olham as “velhas” com desdém, ou porque as professoras não parecem perceber que nós somos capazes de ir sempre um pouco mais além. Me corta o coração ouvir que o exercício vai ser mudado pra não “confundir nossa cabeça” ou fazer a gente “se atrapalhar”, seguido de um olhar de condescendência da garota que teve oportunidade de dançar por mais de 13 anos de sua vida de 18.

Eu tenho plena noção de que meu corpo foi feito pra isso, e que minha capacidade rítmica faz miséria numa aula só. Eu consigo dançar ao som de uma música que ouço pela primeira vez, mas tenho percebido que meu tempo gasto numa sala de aula na frente de um espelho distorcido não está valendo a pena, eu tenho que ir com calma, devagar, porque estou começando, porque sou muito velha pra isso, porque eu não sei os passos, porque meu corpo não está acostumado, porque ninguém está ali pra se tornar uma profissional… Ou isso é o que querem que eu acredite. Não, eu não vou me tornar profissional, mas eu sei que eu posso chegar muito longe.

Então, se eu perceber que meus “mestres” não fazem questão nenhuma de regar as plantas mais distantes porque a meia dúzia de orquídeas caprichosas são mais bonitas, prefiro continuar florescendo sozinha almejando um reconhecimento mínimo, não reconhecimento verbal, mas aquele reconhecimento do professor que vê a potência e transforma em realidade,  assim como a Scheila erguia meu attitude perto da orelha, esbravejando porque eu não estava dando o máximo que eu podia, e não tratada como uma triste figura frustrada e patética, digna de condescendência…

 

Impaciência Implícita...

 

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