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mantra Ostrower do ano.

[Formulou-se o mito da criação juvenil, uma verdadeira aura que se projeta em torno do fazer adolescente. Criativo é o que é jovem, e vice-versa.

É verdade que em nossa civilização essa atitude se revela desde o início ambígua e cheia de contradições. À juventude é dado o caráter de uma adolescência bastante prolongada, protegida pelo adulto e dele dependente, isentando o jovem de responsabilidades correspondentes ao seu desenvolvimento e à sua posição na sociedade e oferecendo-lhe uma liberdade dentro de uma não maturidade artificial.

Ao mesmo tempo, porém, que se ignoram suas potencialidades e sua real participação, exige-se da juventude através de apelos e pressões que atingem o cerne de sua necessidade de afirmação, uma realização de vida, em termos de experiência e de sucesso de trabalho, humanamente impossível.

Assim inventa-se uma criatividade que se condensa, prioritariamente, no ser jovem, transferindo-se para a faixa da adolescência o clímax da produtividade humana e o significado das concretizações de vida, com o maior descaso pelas potencialidades humanas mais amplas.

Em nosso contexto cultural, a maturidade é negada como um valor.

Com isso riscam-se os níveis de conscientização que o homem pode atingir, as reais dimensões humanas, pois o entusiasmo idealista do jovem é uma coisa, e será outra quando esse idealismo, na maturidade, converter-se em generosidade e amplitude de compreensão.]

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essa ideia absurda de que as coisas deveriam ser melhores e mais agradáveis, de que pode existir integridade e fidelidade absoluta entre intenções, pensamentos e atos

as coisas e pessoas são o que são e ficar imaginando o que elas poderiam ser ou o que você gostaria que elas fossem é triste, desgastante

se você aprende a matar seus sonhos mais absurdos o mais rápido possível, você se poupa de redescobrir e refazer toda sua realidade e expectativa sobre as outras pessoas e situações, quanto mais rápido se acostumar a viver com o que tem, menos você sofre, e não adianta achar que alguma impressão que você tinha na infância ou adolescência sobre o mundo vai te ajudar a ser um adulto mais compreensivo ou feliz, elas só vão se tornar os pontos mais vulneráveis que vão dificultar suas relações com problemas cotidianos

não existe princesa na torre

não existe cavaleiro de armadura brilhante…

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August 20, 2013 · 9:56 pm

Vilania Sutil

a gente vai descobrindo por quê torce pros vilões nos contos de fada.

Eles são reclusos, feios, estranhos, os famigerados outcasts, algumas vezes tem motivos, pode ser um trauma, uma perda ou simplesmente  só querem ver o fucking circo on fire!

Diferente de um bom moço que enfrenta as adversidades com o poder do amor o vilão sabe que se você quer algo bem feito, diabos, tem que fazer você mesmo e que não vai ter alguém pra segurar você se cair, e não existe ninguém pra ser gentil então apenas atropele tudo em seu caminho até chegar onde você quer.

Outras vezes é simplesmente divertido demais e é a única coisa que resta: se sentir superior e desprezar o resto do universo.

a gente vai entendendo a paranóia da bruxa descobrindo que ela não é a mais bela do reino, que uma menina de 15 anos tomou o lugar dela por que, no final, quando ela é adulta descobre que a única coisa que ela tem pra se agarrar e fazer sentido na vida é o espelho. foi o que ela ouviu sempre e é o que vai continuar sendo.
o espelho manda um recado: Você Nunca Vai Ser Bonita o Suficiente.

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Bad Concept

daí que você queria , queria mesmo se tornar conhecida através do seu traço, as pessoas olhariam “ei aquela arte é da Leila” ou “ei, aquele é o estúdio tal” e você sabe que trabalha lá e que aquilo é parte do seu trabalho.

mas você aprendeu a estudar, estudar é importante, perder seu tempo com qualquer outro passatempo pra “relaxar” não interessa, você tem que ocupar seu tempo com coisas úteis, coisas que edificam, coisas que não são burguesas, coisas que não são consumo, coisas que vão te fortalecer.

e vai ter que se virar com isso agora, toda vez que pegar uma lapiseira pra desenhar coisas não relacionadas à tirar nota, ou seja, sempre que precisar praticar pra ter um portfolio furreca pra talvez um dia ser contratada ou fazer um freela meia boca, vai sentir aquela insegurança de que poderia estar fazendo coisas mais importantes, coisas aliás que você não faz nunca como arrumar a casa ou lavar a louça ou se alimentar direito.

por que afinal de conta what’s the point? você não deu certo até agora, você não é a escolhida, não é suficiente, não usa as roupas certas, 9,5 nunca é bom, matemática é sempre ruim, você é preguiçosa, conformada e acomodada, e o que vier tá bom, você é inteligente, tem uma boa sensibilidade pra vários aspectos, é perceptiva, dissimulada que dói, porque precisa fingir que se importa, precisa fingir que não preferia estar sozinha e começar tudo do zero, precisa ficar fingindo que está tudo bem em todos os aspectos e fingir que não tem um nó, um enorme Nó na garganta 24/7/365, que não gostaria de estar há 26 anos atrás olhando pra si mesma com um roteiro “Não seja essa pessoa, não seja assim, insista, não seja uma criança boazinha, você precisa insistir, se você gosta de fazer algo, insista, não deixe que digam o contrário, Fale Mais Alto e Fale Mais Vezes”

 

por que perto dos 30 não tem muito mais que se possa mudar e o relógio corre desde sempre, então eu vou ali ser uma grande acadêmica, quem sabe alguém cite meus trabalhos, quem sabe eu consiga insistir em estudar os famigerados Celtas, aguentar as piadas e os imbecis de plantão, fazer um ou outro nó de vez em quando e continuar me perguntando sempre que eu vejo uma concept art, como deve ser ter força de vontade o suficiente pra terminar o que se começa numa folha em branco.

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entrando na personagem

eu faço isso bem demais

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I’ve fallen out of favor and I’ve fallen from grace
Fallen out of trees and I’ve fallen on my face
Fallen out of taxis, out of windows too
Fell in your opinion when I fell in love with you

Sometimes I wish for falling, wish for the release
Wish for falling through the air to give me some relief
Because falling’s not the problem, when I’m falling I’m at peace
It’s only when I hit the ground it causes all the grief

This is a song for a scribbled-down name
And my love keeps writing again and again
This is a song for a scribbled-down name
And my love keeps writing again and again

I dance with myself, I drunk myself down
Found people to love, left people to drown
I’m not scared to jump, I’m not scared to fall
If there was nowhere to land I wouldn’t be scared at all

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A Velha História

De tudo de errado e certo que já deu na minha vida, essa maldita relação de amor e ódio com a dança é a que mais me irrita e também irrita obviamente as pessoas ao meu redor.

Meus pais acreditam piamente que eu posso fazer disso uma fonte rentável. Na verdade eles acreditam que praticamente (quase) tudo que eu faço é passível de ser vendido/lucrado/tornado em espécie.

O Caio acha que eu devia parar porque ele sempre me vê mais sofrendo do que sorrindo por conta disso, e não entende como algo que eu digo gostar tanto me faça ao mesmo tempo sofrer tanto. Não, frustrações não estão aí para serem entendidas.

E então vemos o seguinte problema: pras pessoas que vêem de fora nunca parece estar bom. Ou porque as meninas que fazem a mais tempo olham as “velhas” com desdém, ou porque as professoras não parecem perceber que nós somos capazes de ir sempre um pouco mais além. Me corta o coração ouvir que o exercício vai ser mudado pra não “confundir nossa cabeça” ou fazer a gente “se atrapalhar”, seguido de um olhar de condescendência da garota que teve oportunidade de dançar por mais de 13 anos de sua vida de 18.

Eu tenho plena noção de que meu corpo foi feito pra isso, e que minha capacidade rítmica faz miséria numa aula só. Eu consigo dançar ao som de uma música que ouço pela primeira vez, mas tenho percebido que meu tempo gasto numa sala de aula na frente de um espelho distorcido não está valendo a pena, eu tenho que ir com calma, devagar, porque estou começando, porque sou muito velha pra isso, porque eu não sei os passos, porque meu corpo não está acostumado, porque ninguém está ali pra se tornar uma profissional… Ou isso é o que querem que eu acredite. Não, eu não vou me tornar profissional, mas eu sei que eu posso chegar muito longe.

Então, se eu perceber que meus “mestres” não fazem questão nenhuma de regar as plantas mais distantes porque a meia dúzia de orquídeas caprichosas são mais bonitas, prefiro continuar florescendo sozinha almejando um reconhecimento mínimo, não reconhecimento verbal, mas aquele reconhecimento do professor que vê a potência e transforma em realidade,  assim como a Scheila erguia meu attitude perto da orelha, esbravejando porque eu não estava dando o máximo que eu podia, e não tratada como uma triste figura frustrada e patética, digna de condescendência…

 

Impaciência Implícita...

 

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de Livros e Capas

Não é um livro, é um caderno, mas é perfeito para um Livro de Sonhos exatamente por não ser um livro, nem um Moleskine, que é banalmente caro e desnecessariamente custoso, apesar de aceita-lo de bom grado em ocasiões singulares.
Também acaba que não contém apenas sonhos, mas devaneios e impulsos mentais diversos vagarosos vagantes e surdamente contidos. Lido algumas vezes por outros olhos mas talvez suspenda a prática por simples capricho meu.
É o Livro dos Sonhos da Noite de Ronge da Floresta. Não sei se ela reagiria de bom grado sabendo que mais alguém o lê.
Ele possui um Rei a sua frente e um Imperador à Contra-guarda, ou seria Contra-capa, de todo modo ele é contra tanta coisa que acaba fazendo pouca diferença.
Não está pronto ainda e duvido que esteja por algum bom tempo. Nem todos os Sonhos se deixam Lembrar para serem guardados ali, e é bom que seja assim.
Ele é um Livro, que contém Sonhos. Não é um guia pois nesse mapa nunca se percorre o mesmo caminho duas vezes. Não é feito de histórias pois Eles não fazem tanto sentido nem fazem questão de seguir o iNexorável caminho narrativo. Não é feito de respostas pois nem sempre sabemos as perguntas para quais os Sonhos nos respondem.
É meramente um Registro de Oneyros.
Escrito como se deve, lido como se quer.

N.R.F.

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