Sério mesmo?

vamo combinah assim ó:

– é muito legal se pintar de azul
– é muito legal cortar cabeças
– é muito legal ser “druida”
– é muito legal falar dos celtas

Mas eles eram pessoas como eu e você e tem muita gente escrevendo e pesquisando isso a sério, pesquisadores que existem desde quando seu pai era “apenas um brilho nos olhos do seu vô” (parafraseando).

Então quando alguém disser isso pra você não trate essa pessoa como se ela fosse pedante ou estraga-prazeres por que ela pode ter feito muito mais do que entrar num site de conspiração new age ou um tumblr entusiasta com um trevo de 4 folhas no fundo tocando Dropkick Murphys quando vc abre ou na wikipedia e suas citações interessante mas muitas MUITAS vezes duvidosas.

Estudar o que a gente gosta de verdade é muito legal, e tem gente por aí dedicando tempo e esforço pra fazer ciência ética com o que ama, respeite-os para que seu entusiasmo seja respeitado, otherwise você vai só fazer parte dos celtistas ultrarromanticos.

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A Escolha é Clara

(…) Essas vozes dizem frases como essas, “Ora, não diga isso“, “Você não pode fazer dessa maneira”, “É, você sem dúvida não é minha filha (amiga, irmã) se está agindo assim”, “Tudo é perigoso lá fora”, “Quem sabe o que aconteceria se você deixasse esse ninho quentinho?!”, “Você só vai se humilhar”,  ou ainda a mais insidiosa “Finja que está se arriscando, mas em segredo continue aqui comigo” (…)

(…) Neste estágio a mulher vê-se acossada por exigências banais de sua psique que a exortam a atender qualquer desejo de qualquer um. A obediência provoca uma descoberta que deve ser registrada, a de que ser nós mesmas faz com que nos isolemos de muitos outros e, entretanto, ceder aos desejos dos outros faz com que nos isolemos de nós mesmas. É uma tensão angustiante, mas a escolha é clara… (…)

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Chovendo na horizontal

Então ela acordou 8 da manhã, olhou no relógio e bem como estava com qualquer via respiratória obstruída proferiu um “Foda-se” mental e dormiu até dez e meia, quando realmente considerou não ir trabalhar já que sua garganta coçava e isso ocasionava tosses insistentes querendo expulsar dos brônquios qualquer resquício de corpo estranho.

Levantou praguejando contra deuses e deusas e prendeu a chinchila na gaiola usando o subterfúgio da amêndoa descascada. Depois de muita conversa com olhares insinuantes, o peludo dizia que não, mas sim pelo petisco e ela dizendo que sim por qualquer meio que fosse necessário: a força, a amêndoa ou o terrorismo psicológico de perseguir o roedor pelo quarto, ele entrou na gaiola e se embatucou no fundo da toca.

Nisso o relógio batia perto das onze e o ônibus que a levaria até seu prato feito estava fora de qualquer cogitação. Suspirou contrariada, se trocou, escolhendo a calça mais limpa que ainda não havia sido usada naquele mês, bebeu um copo d’água frio mas necessário, assoou o nariz duas vezes, o resultado verde escuro com um misto desagradável de pouco sangue e curta preocupação foi logo descartado, jogou a mochila por cima dos ombros e trancou a porta atrás de si.

A carne de panela estava malpassada demais e ao pedir o suco sem gelo (SEM GELO, por Zeus, ela disse e teve certeza que o rapaz havia ouvido. Ou não) o copo de laranja líquida com pedras frias boiando. “Moço, eu disse sem gelo” e o relógio corria, a garganta observou e esperou…

O ponto apesar de ser a menos de 50 metros dali não impediu o ônibus de passar em cima da hora, e ela perdeu aquela chance, talvez fosse a gripe que a deixasse mais lenta, talvez fossem os fumantes aglomerados na calçada impedindo o funcionamento natural de qualquer sistema respiratório decente nas imediações… talvez ela não estivesse se importando o suficiente.

Então sentou e esperou, pois ainda havia Minutos.

O outro circular passou e ela se levantou. E algo a puxou pelos fundilhos da calça.

Um chiclete fresco.

Toda a incredulidade e putificação possíveis não eram suficientes então subiu no ônibus estupefata tendo certeza que se lhe apresentassem o autor da façanha acéfala ela atravessaria a cabeça do cidadão pelo vidro frontal do veículo.

Não parecia haver fé na humanidade naquele momento, pois em sua cabeça a partir do momento em que um escroto infeliz gruda um chiclete mastigado no assento de um banco, o mundo realmente é uma droga de lugar. E sua calça estava limpa. Era como se toda a essência das pessoas estivesse presente naquela goma. Algo nojento, enjoativo, disforme e que só estava ali com o propósito de transformar a vida dos outros num inferno. Apesar disso sentiu uma ponta de orgulho por ter feito uma analogia tão absurda a partir de uma maldita goma de mascar…

Chegou no terminal rodoviário, o ônibus estava acabando de sair. Ela observou passivamente enquanto ele se afastava, ela do lado de fora, então mandou um SMS desanimado para a colega de serviço “Rola carona hj?”, era meio-dia e vinte, ela respondeu que sim, então voltou para casa no outro ônibus e esperou até meio-dia e trinta e cinco.

Repassava planos sobre como lidar “Como lidar…?” com as decorações juninas relevantes esperadas de uma professora da sua laia, digo, da sua disciplina…

“Bandeirinhas de papel de seda ftw”

foi seu pensamento mais animador, era só aquilo que esperavam, era aquilo que teriam.

Após o caos esperado de todas as cinco aulas era hora de ir embora, hora de ir, que graciosidade, meia hora a mais no ponto de ônibus com meia dúzia de alunos para voltar para casa mas então o vento enlouqueceu os parâmetros e começou a chover.

O céu estava azul e de repente brotaram nuvens. E de repente escuridão.

Essa era a única explicação plausível para o vento e toda aquela água. Água demais.

O horário do circular das seis e cinco da tarde passou e foi embora, e nada de ônibus, a luz oscilava, dentro da escola a esperança tensa dos professores e funcionários do turno da noite, e ela começava a sentir fome. Ajeitou o cachecol roxo em volta do pescoço, sentindo a garganta questionar à chuva aquela sandice toda.

Então a luz foi-se embora de vez, as lanternas trêmulas e celulares irrequietos iluminavam uma série de rostos que confirmavam aquela sensação de que nossos instintos de grupo falam alto demais em situações como essa, quem não estava muito agitado estava quieto demais.Esperando Alguma Coisa.

O horário do circular das seis e quarenta passou e foi embora, os alunos se amontoaram todos dentro da escola e ela sentia a fome crescendo, só queria estar Naquela padaria tomando Café e comendo um bom Pão com manteiga. As coisas simples dessa vida.

Dentro e ao redor da escola era breu, o Homem do Regador devia estar se divertindo lá de cima, e ventava tanto que as gotas dançavam na horizontal pelo céu.

“Busão ‘tá vino!” ele gritou lá da frente, com a blusa de gorro toda ensopada.

“Sai da chuva, menino!” ela gritou lá de trás, e correu atravessando a rua para entrar no circular de janelas embaçadas.

“Caiu uma árvore lá na frente”

“O outro carro atolou perto de Itatiba”

Mas ela não queria saber mais nada, colocou os fones e mergulhou toda sua realidade no que as músicas tinham de importante pra contar.

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Notícias do Front

(…)

Soldado…UM SOLDADO! O uniforme azul despontou no meio da fumaça, e outro, e mais outro, a insígnia dourada do cisne se movendo rápida como um borrão e eu vi o capitão do regimento avançar aproveitando a brecha do ferimento que a satyx havia recebido, abrindo-lhe um rombo na garganta com a lâmina caspiana.

Me encolhi contra a parede do navio rezando a qualquer força mais sensata que me deixasse sair dali com vida, agarrada à arma que agora já tomava como minha, esperando o resultado do confronto e espiando ansiosa até os gritos cessarem.

Protegi o rosto com força até perceber gente perto de mim.

_Senhor, encontrei mais uma… mas…

A mão segurou meu braço e eu saltei para o lado praguejando e me afastando até esbarrar contra metal e couro.

_Ah maldição…_ o capitão era tão alto quanto Sheba, talvez mais, talvez fosse o que minha cabeça de criança tenha visto, mas Helstrom parecia cansado mesmo sobre a proteção das cores de Cygnar ao se deparar com uma criança nos convés de Cryx. Soltei a arma e fui até perto da garota que havia me achado, ela colocou o sobretudo em volta de mim e olhou em volta, a alguns metros estava o que havia sobrado dos meus pais… aquilo não fazia sentido pois eu conseguia me sentir mais segura agora que eles não estavam mais comigo. (…)

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Toda poderosa paciência

Não preciso contar o resto, certo?

Só que não vejo a hora de mudar logo 🙂

Skadi, Março 2011

Thamar , Março 2011

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A Velha História

De tudo de errado e certo que já deu na minha vida, essa maldita relação de amor e ódio com a dança é a que mais me irrita e também irrita obviamente as pessoas ao meu redor.

Meus pais acreditam piamente que eu posso fazer disso uma fonte rentável. Na verdade eles acreditam que praticamente (quase) tudo que eu faço é passível de ser vendido/lucrado/tornado em espécie.

O Caio acha que eu devia parar porque ele sempre me vê mais sofrendo do que sorrindo por conta disso, e não entende como algo que eu digo gostar tanto me faça ao mesmo tempo sofrer tanto. Não, frustrações não estão aí para serem entendidas.

E então vemos o seguinte problema: pras pessoas que vêem de fora nunca parece estar bom. Ou porque as meninas que fazem a mais tempo olham as “velhas” com desdém, ou porque as professoras não parecem perceber que nós somos capazes de ir sempre um pouco mais além. Me corta o coração ouvir que o exercício vai ser mudado pra não “confundir nossa cabeça” ou fazer a gente “se atrapalhar”, seguido de um olhar de condescendência da garota que teve oportunidade de dançar por mais de 13 anos de sua vida de 18.

Eu tenho plena noção de que meu corpo foi feito pra isso, e que minha capacidade rítmica faz miséria numa aula só. Eu consigo dançar ao som de uma música que ouço pela primeira vez, mas tenho percebido que meu tempo gasto numa sala de aula na frente de um espelho distorcido não está valendo a pena, eu tenho que ir com calma, devagar, porque estou começando, porque sou muito velha pra isso, porque eu não sei os passos, porque meu corpo não está acostumado, porque ninguém está ali pra se tornar uma profissional… Ou isso é o que querem que eu acredite. Não, eu não vou me tornar profissional, mas eu sei que eu posso chegar muito longe.

Então, se eu perceber que meus “mestres” não fazem questão nenhuma de regar as plantas mais distantes porque a meia dúzia de orquídeas caprichosas são mais bonitas, prefiro continuar florescendo sozinha almejando um reconhecimento mínimo, não reconhecimento verbal, mas aquele reconhecimento do professor que vê a potência e transforma em realidade,  assim como a Scheila erguia meu attitude perto da orelha, esbravejando porque eu não estava dando o máximo que eu podia, e não tratada como uma triste figura frustrada e patética, digna de condescendência…

 

Impaciência Implícita...

 

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All-mighty pacience

No dia 15 de dezembro, indo para o churrasco de formatura dos 9º anos perto de uma chácara aqui em Valinhos, o ônibus passou por dois filhotes perdidos na estrada de terra. Pacientemente o motorista esperou o maior dos pequenos atravessar cambaleante a pista e ir se embrenhar no meio do mato alto.

A imagem ficou na minha cabeça durante quase todo o resto do dia, mesmo com toda a festa e celebração, e vôlei debaixo do sol das 4 da tarde com alunos que mal sabem fazer uma manchete.

Voltando de carona, lá estava um dos filhotes, deitado na beira da estrada. E o outro enrolado, caído do lado de um saco de lixo metodicamente largado no meio do mato…

Nós levamos as duas (agora sabendo que eram fêmeas), apesar de mais parecerem ratos do que cães, eram puro osso, sentia-se as costelas e os ossos das patas estavam saltados, a pele esticada sobre eles.Várias coisas passaram na cabeça enquanto minha amiga dirigia até a clínica, a menor aparentava muita fraqueza e comecei a pensar logo em cinomose, verminoses críticas ou algum outro estado de muita gravidade.

Explicamos a situação para o veterinário, a clínica nos deu um desconto na consulta e na aplicação do remédio, Ivermectina , diante do diagnóstico de sarna (demodécica, segundo diagnóstico posterior), passada da mãe para o filhote, além disso estavam anêmicas, as gengivas quase transparentes de tão brancas, mas fora isso não parecia haver nada de muito mais grave.

Sem ter perspectiva de deixa-las em hotelzinho para cães por conta da doença e das verminoses, acabei tomando a responsabilidade de leva-las para meu “imenso” apartamento e dar conta do tratamento de banhos e aplicação de vitamina (um complexo B foderoso e terrível…). E daí começou.

pequena Thamar -5 dias depois, dia de banho com Matacura

Apesar de todas os apelos do Caio pra não me apegar e evitar contato, mesmo por conta da sarna e dos vermes, elas acabaram me adotando como mãe…

Na primeira semana mal conseguiam ficar em pé e andar pelo pequeno espaço improvisado na sacada do apê, a urina sempre foi muito clara, sem nenhum problema mas as fezes da maior demoraram pra melhorar, provavelmente por conta da verminose. Sempre muito amuadas, manhosas quando me viam, e muito famintas que estavam se acostumaram logo de cara com a ração, afinal pra quem nunca teve nada, pouco é muito.

A grande Skadi - 19/12/10

A grande Skadi - 19/12/10

…continua.

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